8.11.05

teatro

naquela noite, o pano de cena não desceu. os espectadores continuaram nos lugares, os actores no palco, os técnicos onde é suposto estarem. da porta de saída, o encenador gritou qualquer coisa que ninguém entendeu. seguiram-se murmúrios, hesitações, tosses, um crescendo de vozes perplexas. cinco minutos mais tarde, cada um foi à sua vida e o encenador repetiu para a sala vazia: «podem ir embora, podem ir embora, a peça já começou».