11.9.05

um poema inédito de poeta inédito (as iniciais são m. f.)

«quarto

deitou-se a tarde sobre
os corpos estendidos,
ainda agora tocaram
lá em cima,
onde o tecto se inclina sobre a esquina de domingo
e todas as outras horas da semana.

há no mundo dois
cães longínquos,
um pássaro raro
e o arame que roda, e chia,
sobre si o peso da roupa
molhada.
qualquer coisa espelha uma outra qualquer
dois telhados antes do rio.

não sei quantas luzes são essas,
nem qual é o reflexo,
de onde vem o eco,
porque dormes
e sinto sobre nós,
deitado,
o vento de todas as tardes,
a respiração do teu amor.»