10.9.05

um poema em prosa de antonio sáez delgado

«o céu está quieto e mudo, devora tudo na fria penumbra desta solidão agreste, alheio à erosão feroz do costume.
uma nuvem atravessa a memória.
entre as ruínas reluz um punhado de mentiras, a vida disfarçada com roupas quotidianas.
que armas nos restam perante tanto passado, se não habitarmos esta luz mansa que cai sobre os nossos passos e ressoa sempre na distância?»

(in dias, fumo, trad. ruy ventura, alma azul)