9.7.05

um fragmento de italo calvino

«em cloé, grande cidade, as pessoas que passam pelas ruas não se conhecem. ao verem-se imaginam mil coisas umas das outras, os encontros que poderiam verificar-se entre elas, as conversas, as surpresas, as carícias, as ferroadas. mas ninguém dirige uma saudação a ninguém, os olhares cruzam-se por um segundo e depois afastam-se, procurando novos olhares, não param.
(...)
uma vibração de luxúria move continuamente cloé, a mais casta das cidades. se os homens e mulheres começassem a viver os seus efémeros sonhos, todos os fantasmas se tornariam pessoas com quem se poderia começar uma história de perseguições, de ficções, de malentendidos, de choques, de opressões, e assim acabaria o carrossel das fantasias.»

(in as cidades invisíveis, trad. josé colaço barreiros, teorema)