24.7.05

excerto de uma resposta de peter sloterdijk (com uma frase de rené char dentro)

«existe sempre quantidade suficiente de pequena noite, de pequena indiferença e de pequenas pausas da vontade. se isto já estivesse compreendido, de que serviria ainda a redenção com as suas trombetas e o seu princípio? a transcendência é uma dimensão rítmica e não metafísica. estamos sempre suficientemente noutro lugar. quem está realmente lá? e quando? há pouco tempo, encontrei não sei onde em rené char uma frase que me ficou na cabeça: se o homem não fechasse soberanamente os olhos de tempos a tempos, escreve ele, em breve não teria mais nada que merecesse ser contemplado.»

(in ensaio sobre a intoxicação voluntária, um diálogo com carlos oliveira, trad. cristina peres, fenda)